sábado, 11 de maio de 2019

Klaus Meine fala ao Scorpions Brazil sobre a turnê brasileira, Rock in Rio, novo álbum e muito mais!


Nesta última sexta feira (10), o vocalista do Scorpions, Klaus Meine, concedeu uma exclusiva entrevista ao Scorpions Brazil. Klaus falou sobre um possível novo álbum em 2020 e também sobre suas lembranças do primeiro Rock in Rio, as expectativas para a próxima edição do festival e a turnê brasileira. Revelou também sobre um projeto com Rudolf Schenker e um grande amigo que também é músico. Comentou a pesquisa que fizemos com os fãs e parabenizou a equipe do Scorpions Brazil pelo trabalho. Imperdível!

This last friday (10), the Scorpions leadsinger, Klaus Meine, spoke to Scorpions Brazil in a great interview. Klaus talked about a possible new album in 2020 and his memories from the first Rock in Rio edition, his expectations for the next edition of the festival and the Brazilian Tour. He also revealed about a project with Rudolf Schenker and a great friend who is also a musician. You can 't miss it!


Você pode ouvir a entrevista (em inglês) clicando no player abaixo!
You can listen to the interview in english by clicking on the player bellow!


Klaus Meine: Alô?

Scorpions Brazil (Roberta): Alô, Klaus?

K.M.: alô, alô!

S.B (R): Alô, você consegue me ouvir?

K.M.: Sim absolutamente! Oi, Roberta!

S.B (R): Oi, Klaus, como você está?

K.M.: Ah, bem, eu estava perdido em... sei lá (risos)! Eu estava no estúdio, e, você sabe, uma vez lá, o tempo voa e quando vi “ah, é! Brasil está chamando”, desculpe-me, eu estava completamente perdido com o tempo.

S.B (R): (risos) Ah, tudo bem, eu entendo completamente! vou adicionar um amigo à conversa, ok?

K.M.: Ok!

S.B (R): Klaus, esse é o David, ele é do Scorpions Brazil também. 

K.M.: Yeah, oi David! Como você está?

Scorpions Brazil (David): Oi, Klaus! Como está, Sir?

K.M.: (risos) Então é uma chamada de conferência!

S.B (R): Sim, sim! Nós estamos te ligando via Skype porque é melhor para chamadas internacionais. 

K.M.: Ok, David, onde você está?

S.B (R): Ele está em Salvador, nordeste do Brasil!

K.M.: Ok.

S.B (R): Ok, então vamos para a primeira pergunta. Como você está aproveitando essa longa pausa? Nos últimos anos essas pausas se tornaram comuns para a banda, certo?

K.M.: Sim, na verdade, depois desses muitos meses em turnê, todos curtiram uma pequena pausa, um pouco de respiro para recarregar as baterias. Mas foi meio longo, sabe, quando você não está acostumado com essas pausas longas, e por mais que tenhamos aproveitado, a coisa boa é que, quando deixamos o último show, no começo desse ano, em fevereiro, nós pensamos em algum momento que, antes de voltar para a estrada, seria bom voltar para o estúdio e talvez começar a escrever algumas músicas novas. E então quando Rudolf voltou da Tailândia, nós todos nos reunimos há mais ou menos umas duas semanas, e fomos direto para o estúdio e foi fantástico, tivemos um momento muito bom, tivemos muitas ideias, numa vibe muito boa para trabalhar, sem grande pressão ou qualquer coisa do tipo, apenas para nos reunirmos, escrever umas músicas, curtir um tempo no estúdio, e isso foi realmente muito bom, de modo muito positivo, estar no estudo por um tempo foi uma experiência muito positiva. Na verdade, por mim, eu adoraria continuar assim nesse momento, e foi o que eu disse há, eu estava no estúdio agora, trabalhando em algum material, sem estar no mundo das entrevistas e estar lá no mundo da criatividade, mundo para escrever coisas novas, e é realmente fantástico que nós curtimos essa parte de criatividade, nos reunindo, sem esperar muito, apenas deixando fluir e eu adoraria que pudéssemos continuar a deixar fluir, mas agora nós vamos voltar para a estrada em breve, o primeiro show é em junho, então o tempo é limitado agora. E já me fizeram a pergunta “há alguma chance para um novo álbum?” e a chance é muito maior agora do que era há duas semanas (risos).

S.B (R): (risos) Ah, ok, então...

K.M.: E nós vamos voltar para a estrada em breve, então imagino que não teremos a chance de voltar ao estúdio e trabalhar e novas músicas antes do final do ano, apenas no próximo ano, mas há um bom pressentimento no Scorpions que talvez tenhamos um novo álbum em 2020. 

S.B (R): 2020? Uau, então você respondeu a nossa próxima pergunta! (risos)

K.M.:  Ah, sério?

S.B (R): Sim, nossa próxima pergunta seria quando que poderia vir um novo álbum, e você acabou de dizer, 2020! 

K.M.: É, parece que sim, porque estaremos na estrada até o final deste ano, e como a turnê começa em junho nosso tempo é muito limitado agora, Mas foi uma experiência muito positiva, um grande começo, foi iluminador”, gravamos algumas demos, algum material e realmente foi bom, num bom caminho, para vir com algo no ano que vem. 

S.B (R): Ok! Então, como você sabe, nós fizemos uma pesquisa com os fãs brasileiros e ela revelou que você é o Scorpion que eles mais querem conhecer, além disso, a maioria deles é de uma nova geração. Como você se sente sobre isso?

K.M.: Yeah, é fantástico! Digo, em primeiro lugar gostaria de dizer parabéns pelo grande trabalho que vocês tiveram com essa pesquisa.

S.B (R): Oh, obrigado!

K.M.: Sim, foi um trabalho muito bom... e sim, eu fiquei muito surpreso que tantos jovens gostariam de me conhecer, encontrar, e o que posso dizer? É um grande elogio e eu não sei o que dizer... 

S.B (R): Ah, não fique tímido (risos)

K.M.: (risos) Mas é maravilhoso que nós temos uma base tão forte e grande no Brasil e uma grande quantidade de jovens que vão nos ver, é uma geração Rock totalmente nova e é realmente um privilégio que nós continuamos indo para a estrada e que continuamos voltando para a América Latina. E há tantos fãs jovens junto com os mais velhos, é realmente algo que você deve dar valor, é como um grande elogio. É também como... não é apenas uma ponte cultural entre Scorpions e tantos países ao redor do mundo, é também uma ponte entre gerações. E no Brasil, na sua pesquisa, mostra realmente isso, especialmente no Brasil isso [a ponte entre gerações] é realmente forte e, o que posso dizer, isso realmente me faz sentir muito feliz e muito tocado que há tanto foco no vocalista da banda. 

S.B (R): Um dado interessante da nossa pesquisa é a presença de “Believe in Love” no setlist montado pelos fãs, o que você acha das músicas que nunca foram executadas ao vivo? É possível que essa esteja realmente no setlist um dia?

K.M.: Believe In Love teve apenas vinte e quatro por cento dos votos, certo? 

S.B (R): Sim, mas ela apareceu na votação. Todas as outras [músicas] que apareceram já são esperadas, mas Believe in Love é a única que é diferente. 

K.M.: Mas não está no topo, não é mesmo? 

S.B (R): Não. 

K.M.: Então porque deveríamos tocar uma música como Believe in Love que não está nem mesmo entre as cinco mais votadas? 

S.B (R): Ah ok, então tem que ser as cinco mais votadas.

K.M.: Digamos que, pelo menos, as dez mais votadas, mas essa está bem abaixo [na votação]. É uma música linda, mas temos muitas músicas lindas da época do Uli Jon Roth que por motivos óbvios nós não tocamos. Por exemplo, “Yellow Raven” é uma linda balada que gosto muito, mas não se conecta com a banda no momento. Com o Mikkey Dee agora na banda, tentamos focar no mais pesado e claro, temos muitos clássicos e [músicas] icônicas, e muitas baladas, então se formos escolher algumas dos últimos vinte ou trinta anos, temos coisas boas, sempre achamos coisas boas dos Scorpions, mas algumas vêm de épocas diferentes e esse é um dos motivos de não estarem no set list hoje em dia. Mas fico feliz de ver que “Still Loving You” está no topo da pesquisa, não é? 

S.B (R): Sim, está. 

K.M.: Claro que “Always Somewhere” é uma música linda. “Blackout”, “Wind of Change”, “[Rock You Like A] Hurricane”, “Big City Nights” são as músicas que sempre estão no nosso set [list] mesmo, mas estamos vendo de tocar algumas músicas no nosso medley dos anos 80, como você deve lembrar do medley dos anos 70 com “Catch Your Train” e “Top of the Bill”. É muito bom e divertido tocar essas músicas bem antigas, mas agora estamos trabalhando em um medley dos anos 80, de músicas que não tocamos há muito tempo como “Bad Boys Running Wild” ou “ [I’m] Leaving You” por exemplo, que é uma música muito boa que estamos tentando encaixar no set list agora. 

S.B (R): Agora falando sobre o Rock in Rio. Como é estar de volta ao festival trinta e quatro anos depois que vocês tocaram na primeira edição? Há quanto tempo vocês esperavam por um convite para voltar? 

K.M.: Há trinta e quatro anos! (risos)

S.B (R): Vocês estavam esperando desde aquela época? (risos)

K.M.: Sim! Esperamos trinta e quatro anos por uma chance de voltar ao Rio. Felizmente, entre o primeiro Rock in Rio e agora, voltamos várias vezes ao Brasil e sempre falamos que nos divertimos muito. Há muitos grandes fãs no Brasil e na América Latina, mas receber este convite após trinta e quatro anos, para voltar ao Rock in Rio, sabe… Acho que todos sabemos o conceito do Rock in Rio, até na Europa, acho que em Madrid e em Lisboa, mas voltar ao Rio para este show é muito especial e é uma grande responsabilidade, junto do Iron Maiden, claro, acho que seremos convidados especiais nesta noite. O Iron Maiden é mega forte na América do Sul, sabe. No geral, é um belo pacote com o Megadeth, Sepultura, Andreas Kisser, que é nosso amigo. Vai ser como uma reunião de família, sabe? Vai ser bem legal encontrar todos esses músicos, lembrar de tudo que já passou. Me lembro de cantar “Cidade maravilhosa”, não sei se você se lembra. 

S.B (R): Sim! Nós temos um grupo do site no Whatsapp e estávamos imaginando se você vai cantar Cidade Maravilhosa de novo ao vivo. (Risos)

K.M.: Sério? Pois é, é nisso que penso do primeiro Rock in Rio em que tocamos. Penso no show incrível, penso que o Rudolf cortou a cabeça no palco e estava sangrando, sabe. Foi um show eletrizante com mais de trezentos mil fãs, foi um show inacreditável e está entre os cinco maiores show que já fizemos. É um dos grandes! E lembra que tivemos uma grande festa no Copacabana Palace e eu encontrei o Freddie Mercury?
Klaus Meine e Freddie Mercury no Copacabana Palace, 1985
A única foto do Freddie comigo foi tirada no Copacabana Palace, naquela noite da festa. São muitas memórias incríveis. Nós ficamos no mesmo hotel do ACDC, em Ipanema, e nos divertimos muito com eles, nadamos com eles na piscina e eu comecei a jogar tênis porque havia uma grande quadra de tênis lá. Acho que era o Matthias e eu, nós começamos a jogar tênis. Quando voltamos para casa arranjamos um instrutor [de tênis], porque quando jogamos nessa quadra no Rio, tínhamos umas dez bolas de tênis, e jogamos todas elas no mar. Então quando voltamos para casa achamos que estava na hora de fazer aulas de tênis, de treinar mesmo e aprender, porque no Rio a gente não sabia o que estava fazendo, só estávamos nos divertindo. Então são muitos momentos incríveis para lembrar. É maravilhoso ter a chance de voltar e tocar para os fãs brasileiros de novo em 2019, de participar deste lineup e relembrar trinta e quatro anos atrás, é maravilhoso isso estar acontecendo. 

S.B (R): Nós também estávamos esperando vocês voltarem! Vocês trarão algum convidado especial para os shows no Brasil? Um convite a Uli Jon Roth ou a Rudy Lenners, quem sabe? Eles comentaram com o David que adorariam participar do Rock In Rio com vocês, não é mesmo David? 

S.B (D): Sim, eu estive com eles aqui no Brasil em Setembro e falamos sobre isso. 

K.M.: Fizemos algo do tipo há 10 anos quando tocamos no Wacken na Alemanha, com o Michael [Schenker], Herman [Rarebell] e foi uma coisa legal, como uma noite para ser lembrada, reunindo a antiga família dos Scorpions. Seria legal para os fãs, com certeza, mas teríamos que ver como seria. Eu estou aberto pra isso, é sempre ótimo encontrar velhos amigos para uma música ou duas, mas não é uma decisão só minha, é da banda toda e temos que ver se daria certo com a agenda dos outros. 

S.B (D): Falando sobre ex-membros, sabemos que Uli quase participou em uma música no Humanity, que infelizmente não aconteceu. Perguntamos isso porque os fãs sempre gostam dessas reuniões, seria possível algo assim para o novo álbum?

K.M.: Eu acho que não. (Risos) Eu sei que do ponto de vista dos fãs isso seria espetacular, claro. Para mim, seria fabuloso compor com o Uli novamente, pois ele é uma lenda extraordinária da guitarra, e o mesmo serve para o Michael. Mas por outro lado, às vezes você sente que é difícil voltar no tempo, com aquela sensação antiga, convidar seus amigos pro estúdio e tocar juntos, compor juntos. É uma boa ideia mas não é fácil de tornar realidade. São músicos extraordinários, e para um álbum seria ótimo, mesmo que para uma música só com o solo do Uli, seria ótimo. Mas sei lá, existem outros jeitos de jogar esse jogo, então quem sabe. Vi o Uli quando ele tocou na Alemanha - eu acabei até te desencontrando lá, Roberta - e encontrei ele no backstage, acho que era aniversário dele. Foi um show incrível num local pequeno, mas ele é um ótimo guitarrista. O jeito que ele toca… E para mim é bom que ele toque músicas do Scorpions de novo depois de tanto tempo, ele tem orgulho disso. Ele tem orgulho dos Scorpions e está por aí tocando novas versões de clássicos dos Scorpions de quando ele estava na banda. Foi maravilhoso ver ele naquela noite. 

S.B (R): Sim, eu estava lá! foi uma grande noite e um grande show, eu gostei bastante. 

S.B (D): Esse ano você completa 50 anos de casado - com Rudolf - você se lembra de algo do dia em que se reuniu com Rudolf, juntamente com Michael?

K.M.: Na verdade não. Só me lembro da noite em que nos juntamos e decidimos que Michael e eu entraríamos nos Scorpions. Foi na véspera de ano novo, de 1969 para 1970. Nós fizemos um show em que eu o Michael participamos num clube, não muito longe de Hannover. Foi uma noite ótima. Depois disso, o Rudolf convidou o Michael e eu para a banda. Daí nós fomos ensaiar em algum lugar e foi a primeira vez que tocamos juntos. 

S.B (R): Rudolf escreveu um livro bastante inspirador e cheio de histórias curiosas. Até mesmo o Paulo Baron, da Top Link Music, lançou recentemente um livro contando a sua história sobre trabalhar com música por 30 anos. Isso não te inspira a escrever um livro também? Tenho certeza que você também tem muitas histórias para contar ao longo de mais de 50 anos. 

K.M.: Sim, com certeza. Você diz sobre os Scorpions, certo? 

S.B (R): Sim, sobre as suas histórias com os Scorpions e algo como o Herman Rarebell fez. 

K.M.: Eu não li ainda. É bom? (risos)

S.B (R): Sim, é bom! Acho que às vezes ele parece ter inveja, mas o livro é ótimo. 

K.M.: Ok. É em Inglês? 

S.B (D): Em Inglês e Português. 

K.M.: Vocês podem me mandar um. Ou quando eu for no Brasil vocês podem achar um em Inglês para mim. Seria legal ter um livro sobre os Scorpions, ou os guitarristas, o vocalista… Há sempre propostas surgindo, vindas de diferentes escritores, a maioria é do Reino Unido. Eles querem escrever um livro sobre mim, mas até agora não deu certo porque isso exige tempo, e tem tantas outras coisas que surgem no meio do caminho. Passamos a maior parte do ano fazendo shows, e agora estamos em estúdio, compondo coisas novas, não dá tempo se você quiser que fique bom. Levaria um bom tempo para fazer um livro realmente bom sobre os Scorpions que não desse apenas setecentas páginas. Seria bem maior, pois é uma carreira tão longa e queremos contar toda a história da banda. Levaria tempo para fazer as entrevista e outras coisas para que tivéssemos um ótimo livro para os fãs. Talvez seja possível, mas por enquanto não temos tempo para esse tipo de projeto. 

S.B (R): Vamos tentar achar uma cópia do livro do Herman Rarebell em Inglês e você tem que perguntar ao Paulo se ele tem uma versão em Inglês do livro dele. 

K.M.: Acredite ou não, Roberta, quando você ligou e eu não atendi, eu recebi um e-mail do Paulo Baron no mesmo instante. 

S.B (R): Que coincidência! Mas lembrando da primeira edição do Rock In Rio em 1985 e na qual vocês estiveram, aconteceu um fato inusitado, quando Rudolf cortou o supercílio como você mencionou, e em entrevista com Dieter Dierks para Scorpions News, ele contou sobre a turnê do Tokyo Tapes, quando você chegou a cair do palco, você se lembra disso? Foi a pior situação ao vivo que teve na carreira?

K.M.: Eu me lembro, claro. Foi nosso primeiro show em Tokyo, e nós entramos correndo [no palco] e eu escorreguei antes de cantar uma nota sequer e caí na multidão. Acho que todos da banda pensaram que a turnê tinha acabado, mas eu levantei logo e voltei ao palco. Foi uma ótima turnê com os shows gravados para o Tokyo Tapes. Mas é verdade, foi no primeiro show e eu estava muito animado por estar no Japão, o público era incrível. E eu simplesmente caí do palco, caí na multidão. 

S.B (D): Existe algum vídeo da turnê Tokyo Tapes? 

K.M.: Não. Tocamos algumas noites, gravamos duas delas, eu nunca vi gravações em vídeo. Talvez algum fã tenha, mas na época ninguém tinha iPhone. Se isso tivesse acontecido hoje, estaria no Youtube, mas não existe nada. 

S.B (D): Você viu na indústria da música o LP, o surgimento do CD, agora a volta do LP e os serviços de streaming. O que você acha disso?

K.M.: Acho que os tempos mudam e temos que acompanhar. Música é música, mas é o jeito que os jovens hoje compram uma música, ou um disco, ou escolhem [serviços de] streaming como Spotify, que seja. Quando eu era adolescente eu queria comprar um disco e ouvir ele inteiro, colocar meus fones e ouvir cada música, segurá-lo nas mãos. Hoje em dia você paga uns dez contos por mês e tem acesso a milhões de músicas, você consegue tudo, o que quiser. Eu só não sei se os fãs hoje em dia valorizam [a música] tanto quanto nós naquela época. É só uma forma diferente de música, mas acho que os fãs de verdade ainda se interessam em comprar um CD, segurá-lo nas mãos, ver e ler sobre os créditos, as letras das músicas. Tenho certeza de que eles fazem isso. E as gravadoras hoje em dia lançam edições limitadas dos vinis, porque até a geração mais nova quer ter vinis e até um toca disco novo, sabe. Mas o que nunca muda é que a banda sobe no palco, faz um show e as pessoas enlouquecem, se divertem, deixam a realidade pra trás e aproveitam com seus amigos e suas bandas favoritas. Essa emoção que você sente num show ao vivo é muito diferente de qualquer streaming. Você quer participar disso, quer estar lá. Isso nunca mudou. Em toda a nossa carreira, subir no palco e tocar para os fãs tem sido sempre a parte mais importante. Mas, claro, quando se trabalha num disco novo, por que escrever novas músicas? Por que fazer um disco se não há ninguém para comprá-lo? Essa é a questão. Pelo menos para uma banda como os Scorpions ainda é importante compor material novo, gravá-lo e ter algumas músicas novas no set list. É mais divertido incluir coisas nova no set. Eu sei que temos um grande catálogo de músicas e poderíamos trocar o set todos os dias, mas há muitos motivos pelos quais não fazemos isso, mas é muito divertido e interessante apresentar músicas novas aos fãs, e para a banda tocar material novo. Essa é um dos bons motivos para fazer novos discos. 

S.B (R): O rock and roll surgiu como uma revolução social e cultural. Ele se tornou importante para protestos sociopolíticos...

K.M.: Creio que sim, yeah, talvez mais do que nunca, porque de muitas formas temos diversos conflitos, como os britânicos aqui na Europa com o Brexit, que é notícia quase todo dia, são diversas reuniões entre os países e isso nunca acaba. As pessoas demonstram que querem ficar na UE, e outros querem sair. Veja o que está acontecendo no oriente médio últimos dias entre Tel Aviv e Gaza. Nós tocamos em Tel Aviv no ano passado! E aí você pensa nos mísseis sendo lançados de Gaza, e eles contra-atacam [em Tel Aviv], e as pessoas e crianças morrem. É um desastre! Sem falar na África! Tem tanta coisa acontecendo. E eu acho que sem sermos muito políticos como uma banda, esse é o momento em que temos que dizer o que queremos dizer porque as pessoas nos escutam, porque temos uma voz que devemos usar por uma boa causa e por aquilo que acreditamos, sem forçar demais a questão política. Os Scorpions não são uma banda política nesse sentido, mas acho que é importante usarmos a nossa voz. Não sei se eu deveria falar isso, mas eu estava gravando uma parte de uma música para o projeto de um amigo, um músico internacional, mas eu não quero falar demais! O Rudolf e eu participamos de um projeto sobre a Europa, pois teremos eleições por aqui no dia 26 de maio e tem um jornal grande aqui na Alemanha que quer lançar nesse dia uma música com vários músicos juntos, no estilo [da música ] We Are The World, para lançar uma música com uma mensagem. Eu acho que é importante apoiar esse tipo de projeto, e faço do fundo do coração, sabendo que é uma coisa boa. Compondo é a mesma coisa, você querendo ou não, é importante falar sobre o que sofremos e vemos hoje em dia nas músicas. E acho que com toda essa bagunça, uma coisa positiva é ver que essa geração da Greta [Thunberg], essa jovem da Suécia (tenho certeza de que ela é popular no Brasil também), que esses jovens estão falando da consciência sobre as mudanças climáticas, isso me dá esperança, que essa nova geração vai cuidar e fazer do mundo um lugar melhor. Voltando à pergunta, é bom para a consciência social, e para usar sua voz de uma forma positiva. Foi uma resposta longa. 

S.B (R): Sim, mas uma boa resposta. (risos). Nossa pesquisa também revelou que a maioria dos fãs são de São Paulo, e haverá um grande festival - RockFest - aqui. Mas, em segundo lugar, eles estão implorando por um show em Recife e, até onde sabemos, não há nenhum show no Nordeste do Brasil esse ano, você sabe o porquê? Ainda há datas de shows a serem anunciadas?

K.M.: Eu não sei o motivo, porque os produtores arranjam isso, nosso agente junto com os produtores brasileiros, e é tudo o que temos, sabe? Eles têm seus motivos por que escolhem algumas cidades, e não há muito o que possamos fazer, porque nós não sabemos muito sobre isso, não só no Brasil, mas em muitos outros países ao redor do mundo também. Quando nosso produtor nos Estados Unidos contrata uma turnê, ele coloca isso à nossa frente e, claro, nós decidimos se vamos naquilo ou se vamos mudar alguma coisa, mas basicamente é sempre decidido pelo produtor, não há muito que possamos fazer. Mas na sua pesquisa, vocês estão certos, como Recife, por exemplo, quase 17% certo?

S.B (R): Sim

K.M.: Vamos ver, eu tenho ela aqui (a pesquisa) na minha frente… é, isso definitivamente nos ajudaria a tomar decisões… por exemplo, em Florianópolis teve 2%. Mas eu concordo que fazer um show em Recife seria ótimo, porque já estivemos lá e foi muito bom, nós temos grandes fãs por lá, e no Nordeste do Brasil, mas as decisões são tomadas entre nosso agente e os produtores brasileiros, e temos que ir por esse caminho. 

S.B (R): E você mencionou Florianópolis e também falando de Brasília, essas cidades foram deletadas das tourdates do site oficial do Scorpions. Os fãs começaram a ficar desesperados se perguntando se os shows foram cancelados. Você sabe por que elas foram adicionadas e depois removidas?

K.M.: Agora? Brasília e qual?

S.B (R): E Florianópolis

K.M.: Eu não sei, isso é novidade para mim, eu não faço ideia, não tenho como dizer nada sobre isso. 

S.B (R): Ok, os fãs já ficaram tipo “Ai, meu Deus, os shows foram cancelados!” Eu não acho que eles tenham sido cancelados. 

K.M.: Eu não sei, não sei nada sobre isso. 

S.B (D): Talvez para anunciar todas as datas juntas.

K.M.: Eu não sei… realmente não sei. 

S.B (R): E agora apenas algumas curiosidades sobre você… o que você gosta de fazer no seu tempo livre? Quero dizer, não em casa, mas também no hotel entre os shows…

K.M.: Entrevistas. O tempo todo, entrevistas. 

S.B (R): Entrevistas? Mesmo no descanso… (risos) Desculpe-me, estou te perturbando!

K.M.: (risos) É, apenas fazendo entrevistas, e como eu disse, agora eu estava realmente aprofundando em escrever algumas coisas de novo, e isso toma muito tempo, é uma pequena preparação para a turnê, é como lição de casa, trabalhar com algumas coisas, participar de algum trabalho de caridade… acabei de ter a honra de apresentar o José Carreras, que ganhou um prêmio “Lifetime Achievement”, porque eu sou embaixador da José Carreras Leukaemia Foundation (Fundação José Carreras contra a leucemia), então eu faço algumas coisas relacionadas à caridade, é o tipo de coisa que você não fala muito em público, e se eu posso fazer algo para apoiar, eu faço, mas toma tempo, e algo o que faço entre as turnês, porque assim que caímos na estrada, simplesmente não há tempo para fazer mais nada. 

S.B (R): E entre os shows durante a turnê? O que você faz? Relaxa um pouco?

K.M.: Eu tento relaxar um pouco ou tento ver um pouco mais do Brasil… eu não sei o nome, mas eu sei que há fantásticas cachoeiras…

S.B (D): Iguaçu? Foz do Iguaçu?

K.M.: Sim, deve ser maravilhoso. Eu adoraria ir lá e ver, sabe? Normalmente, durante a turnê nós não tempos tempo de sair para ver outros lugares, sabe… quando estivemos no Rio, sim, eu lembro no Rock in Rio em 1985, nós fomos ao corcovado, foi muito legal. Nunca estive no Pão de Açúcar, talvez dessa vez eu tenha a chance. O tempo é curto na turnê, mas se você tem a chance de ficar alguns dias, é sempre bom sair do hotel e visitar as cidades e países, é muito bom, eu sempre estou com a mente aberta e interessado em diferentes culturas.

S.B (R): E você curte filmes e séries de televisão da cultura pop? Como por exemplo Avengers, Game of Thrones…

K.M.: Sim, sim! Claro! No momento eu estou assistindo a nova temporada de House of Cards.

S.B (R): House of Cards! 

K.M.: Sim, a nova, sabe?

S.B (R): Sim… Bem, eu ainda não assisti House of Cards. No momento estou ligada em Game of Thrones. 

K.M.: Ah, claro, todo mundo está assistindo isso. É mesmo assim tão bom?

S.B (R): Sim, é realmente muito bom, você deveria assistir. 

K.M.: Sim, ok, porque todo mundo fala sobre isso.

S.B (R): Sim, é muito boa!

K.M.: Sim, tem muita coisa e eu tenho que admitir, eu amo Netflix, porque quando você está na estrada há tanto tempo no ônibus de turnê ou no avião e no aeroporto para assistir algo, e tem muita coisa boa lá. 

S.B (R): Ok, então, estamos quase acabando aqui… quais são suas melhores recordações do Brasil? 

Klaus Meine no barco, no Rio Negro, em Manaus, 2008.
K.M.: Acho que do dia de quando fomos ao Rio Negro, adentro da floresta, nós visitamos algumas tribos, e eles cantaram uma música para nós, e nós cantamos Wind of Change para eles, e então nós fomos embora, estávamos numa correria com o Paulo Baron, nesse barco, de volta para Manaus, onde o avião estava esperando para voltar a São Paulo. Então foi dessa tribo no meio da floresta, talvez 20 ou 30 pessoas, para milhões de pessoas em São Paulo, foi um contraste incrível. Foi realmente um momento muito especial. 

S.B (R): Com certeza!

K.M.: Você tem um país muito bonito, realmente, foi um dia muito especial.

S.B (R): Ok. E a última pergunta: hoje, a mídia social te coloca perto dos seus fãs, você gosta de ler as mensagens deles na sua página oficial do facebook ou instagram? 

K.M.: Sim, não sempre, mas quando posso dou uma olhada, especialmente quando posto alguma coisa, não eu mesmo, mas nosso pessoal fazendo isso, quando é algo do tipo... não sei, feliz aniversário, ou feliz nata,l ou algo do tipo, alguma notícia de falecimento, ou algo pessoal, ou apenas pessoal com os fãs, como “Feliz Páscoa”... Eu cuido disso e, claro, é um prazer receber tantas respostas de tantos fãs ao redor do mundo, quando eles estão ali com você, é como se estivéssemos conectados de algum modo. Eu sei que há lados muito negativos na mídia social, e algumas pessoas até dizem que o facebook já era, mas eu ainda curto, eu realmente gosto que temos tantos fãs no facebook, são quase 7 milhões, é ótimo ver nossa família scorpions bem e viva e conectada num modo muito positivo. Isso é uma ótima vibe, juntar pessoas de todos os cantos do mundo e nós somos parte disso, é como… quando nós caímos por aí na estrada é como ir ver a família de novo. Como quando voltamos ao Brasil, nós nunca esquecemos todos os exelente momentos como o Rock in Rio e muitos, muitos bons momentos que nós tivemos em São Paulo, Recife, Manaus, Brasília, tantos lugares… Belo Horizonte claro, como eu poderia esquecer, Fortaleza, muitos lugares ótimos, Vitória, Curitiba, deixa eu ver se estou esquecendo de algo… Porto Alegre? 

S.B (R): Porto Alegre, sim.

K.M.: Muitos lugares… São Luis, Goiânia… bem, você deve estar pensando “uau, é fantástico, Klaus sabe o nome de todas essas cidades” mas é por causa da sua pesquisa, eu tenho ela aqui na minha frente (risos). 

S.B (R): (risos) Você está lendo!

K.M.: Sim, claro! Mas de qualquer forma, eu estou muito empolgado para voltar ao Brasil, ansioso para tocar para nossos fãs brasileiros, Rock in Rio vai ser maravilhoso, vai ser uma grande festa e cheio de … maravilhosa, cidade maravilhosa!

S.B (R): Cidade Maravilhosa, sim, wonderful city! Então, certo, estamos esperando por você aqui em São Paulo, para a Rock Fest, será uma grande reunião de bandas, e também… ah! Mais uma pergunta, você pode nos dizer algo sobre as cidades em que você vai tocar esse ano? 

K.M.: Eu não sei…

S.B (R): Mas há uma chance para Curitiba ou Porto Alegre?

K.M.: Sim, acho que tocaremos nessas cidades, acho que teremos Whitesnake conosco, como nossos convidados especiais, e Megadeth, acho que será uma grande turnê, mas não tenho isso aqui comigo agora, mas acho que Curitiba e… tem muitos fãs em São Paulo, como posso ver na sua pesquisa, é ótimo voltar lá e fazer um grande show com Whitesnake, Megadeth… Europe também estará conosco, será um ótimo show, e nós sabemos que temos muitos fãs fiéis em São Paulo por muitos anos, então é ótimo voltar logo. 

S.B (R): Ah, que ótimo! Então, você gostaria de mandar alguma mensagem aos fãs brasileiros para finalizar a entrevista? 

K.M.: Sim, antes de mais nada, muito obrigado a você, Roberta, e David, por fazerem essa entrevista, por fazer essa conexão com nossos fãs no Brasil, e gostaria de dizer, também em nome da banda, obrigado por todo o amor e apoio por tantos e tantos anos, estamos muito ansiosos para voltar e Rock You Like a Hurricane de novo! Yeah! 

S.B (R): Yeah! Ok! Então, Klaus, muito obrigada por seu tempo, eu sei que você está ocupado, numa correria, mas você encontrou um tempo nos para dar essa entrevista.

K.M.: Sem dúvidas!

S.B (R): E estamos muito agradecidos por isso… obrigada! E… David, gostaria de dizer algo?

S.B (D): Sim, apenas muito obrigado, por que sei que você estava muito ocupado!

K.M.: Ok, David! Bem… vejo vocês por ai, obrigado David, obrigado Roberta, estou ansioso para ver vocês no Brasil muito em breve! 

S.B (R): Ok, estamos ansiosos para te ver também, tchau tchau!

S.B (D): Tchau!

K.M.: Tchau, tchau!


Roteiro e entrevista: David Araújo e Roberta Forster
Tradução: Patrícia Camara e Roberta Forster
Diagramação: Roberta Forster
Edição da imagem e áudio: David Araújo

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