quinta-feira, 6 de junho de 2024

Las Vegas Residency Review 2024!


             Começamos um diário de turnê diferente dessa vez. Vale explicar que eu, David, me casei em outubro do ano passado. Além de ter pedido Bela em casamento na frente da banda ainda em 2022, eles gentilmente enviaram para nós um vídeo de felicitações que foi exibido na recepção do nosso casamento naquele dia 14 de outubro. Uma honra e tanto! Após isso, voltamos a nossa vida normal, casados é claro, esperando por uma oportunidade que faria sentido ter uma lua de mel tão especial quanto os acontecimentos anteriores que falei. Com rumores de mais uma residência em Las Vegas, resolvemos esperar, e dito e certo. Planejamos tudo para que nossa Lua de Mel fosse na terra do Elvis casamenteiro, apesar do motivo ser bem claro. Assim, o tempo passou e o dia de viajar chegou.

           Chegamos em Las Vegas para o show de número 3 (de 9), no dia 18 de abril. Ao desembarcar, já nos deparamos com letreiros anunciando o que tanto aguardávamos: os shows de Scorpions! Assim como nos imensos painéis de led espalhados pela Strip, a principal rua de Las Vegas, bem próximo ao Planet Hollywood que abriga além de cassino e shopping, o Bakkt Theater (antigo Zappos Theater), local dos shows!

            Estivemos em quatro apresentações, mas irei reunir aqui o melhor desses quatro dias como se estivéssemos em um grande e único show! (já que o setlist permaneceu o mesmo para as nove datas em Las Vegas).

Com nossos acessos, nos encaminhamos para a fila que nos levaria ao meet and greet, procedimento parecido com o adotado na residência de 2022. Chegando à área de backstage, começamos a ver rostos bem familiares, como do nosso grande amigo Léo Soares! Além de Joe Gerrans, o cara da segurança no Bakkt Theater. Nossa vez de ir ao meet and greet chegou e já fomos recebidos com surpresa e alegria por Rudolf, Pawel, Klaus, Matthias e Mikkey. Esse foi o nosso primeiro contato depois do casamento, que foi o assunto naqueles poucos segundos quando Pawel brincou: “vocês ainda estão casados?”. Respondemos mostrando as alianças e ganhamos uma foto bem especial com a banda completa.



De volta ao lobby do teatro, pudemos conferir o merchandising dessa turnê que estava bem legal. Era hora de checar os nossos lugares e aguardar por Ugly Kid Joe, banda que acompanhava Scorpions abrindo os shows. Surpreendeu-me o quanto a plateia os abraçou nos quatro shows em que estivemos presentes, era como se estivessem diante de velhos amigos celebrando juntos algo especial.

Finalmente falaremos do que interessa: o show de Scorpions! Um novo show com setlist alterado pela comemoração de 40 anos do Love At First Sting. Ainda que eu tenha visto vídeos dos primeiros shows, tudo aquilo seria novidade para mim. Assim, trovões e relâmpagos no grande telão de led anunciam que o show iria começar! O sonho de ver ao vivo a intro de Coming Home está prestes a se concretizar. É assim que os shows dessa turnê estão iniciando, lendário!

“Every morning when I wake up yawning, I'm still far away. Trucks still rolling throw the early morning, to the place we play…” Canta Klaus surgindo por trás do belíssimo palco preservado da turnê anterior, enquanto a capa do Love At First Sting também dá as caras apresentando o que está por vir com um show de luzes. Mikkey Dee põe fim à calmaria, seguido das guitarras de Matthias e Rudolf, “Jump on the seats, put your hands in air” prontamente atendido! Os assentos não são ocupados em momento algum tamanha empolgação do público de um teatro lotado. Eles finalizam a primeira música da noite com “Coming Home to Las Vegas, Nevada!”.



Como a fórmula anterior deu muito certo e o sucesso do álbum Rock Believer perpetuou, “The king of riffs is back in town” novamente! Gás in The Tank permanece no setlist, o que eu particularmente achei certeiro, há tempos não tínhamos uma música inédita tão enérgica como essa. Make It Real, The Zoo e Coast To Coast seguem contínuas pois como falamos, o que está dando certo não se mexe.

“É ótimo estar de volta a Las Vegas, Nevada! … voltar para uma residência e tocar nove shows em Vegas, eu acho que não tinha forma melhor de começar o ano para nós… Essa noite é para celebrar o 40o aniversário do Love At First Sting, você acredita que já fazem 40 anos? Mas voltaremos mais tarde, para agora 42nd street… The Zoo!”.

Após o término de Coast To Coast, Klaus fala um pouco mais, explicando o que vem a seguir: “Agora voltaremos para os anos 80, bons tempos! 1984, Love At First Sting! Nós tocamos essa próxima música um tempo atrás, mas há muito tempo, e voltamos a ensaiar e ela se tornou novamente uma das minhas favoritas agora, é uma música antiga, mas continua linda. A outra música nós nunca tocamos em uma versão elétrica, apenas orquestrada, vocês já podem imaginar qual seja, então cantem o mais alto que puderem! Certo!? I’m Leaving you…”

É incrível como, pouco mais de 10 anos depois da última vez que tocaram essa música em uma turnê, ela só tenha melhorado ao vivo. E aqui aproveitamos para fazer alguns comentários sobre a performance de Klaus Meine. Sua voz continua tão incrível e I’m leaving you é uma prova disso, leves escapadas deixam claro que é tudo de verdade e esse senhor continua se apresentando magicamente a cada show. É bem verdade que ele permanece um pouco mais estático que na turnê anterior em seu posto central no palco, mas também completamente esperado para quem passou por duas cirurgias recentes nos seus 75 anos de idade, nada que diminua ou atrapalhe o andamento do espetáculo e isso deve ir melhorando cada vez mais com o tempo.

























            O que vem a seguir eu jamais pensei ver ao vivo na vida: simplesmente Crossfire! Nem o fã mais otimista apostaria nessa altura que teríamos algo novo assim. Mikkey Dee começa e mantém precisamente todo o ritmo da música, os solos de Matthias preenchem exatamente como ouvimos em todos esses anos ao executar o Love At First Sting, uma gratíssima surpresa! A não tão nova no setlist Bad Boys Running Wild é a seguinte, mas não deve ser ignorado o fato de que ela  é um dos pontos altos de todo o álbum. Outra já carimbada pelos últimos anos aparece na sequência: Delicate Dance. Continua bem agradável de se ouvir, inclusive.

Klaus volta a falar com o público: “Esse cara tocou na banda por mais de 20 anos, e essa noite nós gostaríamos de dedicar a próxima música para o nosso querido amigo James Kottak, um irmão de outra mãe… Send Me An Angel”, enquanto o nome de James é exibido no palco com uma foto. Uma homenagem totalmente merecida e bonita de se ver. James foi um dos maiores Scorpions sem dúvida.


 

Wind of Change surge mais uma vez com uma pequena alteração na letra, e não mais citando a Ucrânia, desta vez de uma forma mais abrangente e aparentemente definitiva: “Now listen to my heart, it still believes in love. Waiting for the wind, To Change”. A fim de não mais romantizar a Rússia, parece certo atualizar e encarar todo o contexto histórico para essa mudança.

A tão agitada Tease Me, Please Me também não perdeu seu posto no setlist, e faz bem depois do momento mais calmo entre Send Me An Angel e Wind Of Change, não mantiveram ela ali por acaso. Em seguida o outro ponto alto do Rock Believer: Peacemaker! Para mim certeira também em continuar no setlist, pois casa bem ainda com todo o momento em que vivemos no mundo, eu diria até que seria a Wind Of Change da nossa geração.

É a vez da outra grande surpresa da noite, Klaus fala: “Vamos voltar novamente para o álbum Love At First Sting e nesses 40 anos essa música nunca foi tocada, se chama The Same Thrill”. O que Klaus diz não está tão errado se considerarmos o lançamento do LAFS, pois The Same Thrill foi tocada duas vezes na Inglaterra no final de janeiro de 1984, e então esquecida. O álbum saiu no final de março daquele mesmo ano. Detalhes de fãs “chatos” apenas. O que posso dizer é que fomos agraciados pela história em poder ver isso ao vivo, daqueles B-Sides que não imaginamos mesmo ver na vida, e o que notamos de cara é uma banda completamente alinhada e contente, estão bem à vontade em fazer aquilo, como a própria filosofia da música diz.

Mikkey Dee continua quebrando tudo em seu solo, dessa vez atualizado com sua máquina Jackpot gigante, incluindo fotos da banda e preservando homenagens a James e Lemmy. No fim, as sirenes são ligadas e você já deve imaginar, vem aí Blackout! Algo de novo que posso comentar é o uso da máscara por Rudolf! Mas apenas em um ou outro show da residência, como no dia 20 por exemplo.


Big City Nights anuncia que o fim do show está próximo, já temos aquela sensação de que tudo passou muito rápido e não queríamos sair dali, mesmo depois de ver o terceiro ou quarto show seguido. A tríade final das músicas não se altera pois funciona muito bem. Eles se despedem e retornam para o encore com Still Loving You e Rock You Like A Hurricane para fechar a noite. Fica aquele sentimento de satisfação por ter visto 1h30 de algo lendário: exatamente o que eles são. Mas fica também aquela sensação de nostalgia, saudade e esperança pela próxima vez, e que seja breve!

Com o término do show, podemos ir até o backstage encontrar novamente com nosso amigo Léo, que inicia imediatamente todo o processo de limpeza e ajuste da bateria de Mikkey Dee, sempre impecável. Além de encontrar também os grandes amigos da crew como Jindřich Jankulár e Malte Krug, falar com as lendas Peter Kirkman, Ingo Powitzer e Rainer Becker, e claro, dar aquela passadinha rápida pelo PA e conversar um pouco com Manfred Nikitser. Também tivemos o prazer em conhecer novos amigos como Marian Kuch. Esses caras, e tantos outros, estão nos bastidores fazendo um trabalho incrível para que todos os fãs possam ter a melhor experiência possível, vale sempre agradecê-los por fazerem isso tão bem.




            Após vários dias em Las Vegas, tive o privilégio de compartilhar ótimos momentos com tantos amigos e pessoas fantásticas. Um agradecimento especial a Alex Malek e Bill Barclay por todo o suporte de sempre e por tornarem tudo isso possível novamente!

Scorpions voltou aos palcos no dia 17 de maio, em Abu Dhabi e continua uma série de shows pelo oriente médio, Ásia e leste europeu, até voltarem para a Europa para grandes festivais e por fim uma turnê pela Alemanha.

No ano que vem, a banda comemora 60 anos de estrada e temos certeza que uma nova turnê, com muita coisa especial, está por vir inclusive passando pelo Brasil! Aproveitemos bastante, pois é um privilégio poder estar na companhia dessas lendas vivas!



domingo, 19 de maio de 2024

Scorpions Brazil lança rifa solidária pelo Rio Grande do Sul

Imagem do kit Scorpions Brazil com informações sobre a  rifa solidária


A equipe do Scorpions Brazil se reuniu para criar uma rifa em favor do Rio Grande do Sul, que ainda sofre com a imensa devastação causada pelas enchentes que assolam todo o Estado.

Para arrecadar fundos, estamos rifando um kit de itens da banda, composto por
  • 2 setlists oficiais dos shows do Scorpions (Porto Alegre 2019 e Las Vegas 2024)
  • 01 foto autografada por Klaus Meine
  • 01 palheta de Rudolf Schenker
  • 01 palheta de Pawel Maciwoda
Serão vendidos 400 números, no valor de 10 reais cada, pelo site Rifa 321. Para ajudar, compre seus números aqui: https://rifa321.me/rifa/campanha-scorpions-brazil-pelo-rio-grande-do-sul

Toda a verba arrecadada será destinada à organização CUFA (Central Única das Favelas), responsável pela coordenação de uma vasta operação humanitária no Rio Grande do Sul, envolvendo líderes locais para enfrentar a crise emergencial que afeta a região. 

segunda-feira, 1 de abril de 2024

Scorpions conquista disco de ouro no Brasil com “Wind of Change”

Click here to read it in English.

Scorpions conquistou mais uma certificação de disco de ouro no Brasil, desta vez com a música clássica “Wind of Change”, lançada como single no álbum Crazy World, de 1991. 

Segundo dados da Pro-Musica Brasil, esta é a primeira certificação da banda em território nacional em duas décadas. Mais de três décadas após o lançamento, a canção segue como uma das mais populares de toda a carreira do Scorpions e faz parte dos setlists da banda até os dias atuais. Aqui no Brasil, o disco de ouro conquistado por “Wind of Change” é equivalente a 20 mil unidades vendidas em formato físico, quatro milhões de streamings nas plataformas de áudio e 20 milhões de acessos em vídeo somados. 

 Com a nova conquista, Scorpions acumula três certificações de disco de ouro no Brasil: o single “Wind of Change” (2024), o DVD Acoustica (2004) e o CD Acoustica (2003). Além disso, o DVD Acoustica também ganhou o certificado de platina, que equivale ao dobro de vendas do disco de ouro, uma marca atingida também em 2004. 

 A certificação de disco de ouro foi concedida ao Scorpions pela Pro-Musica Brasil, uma entidade que reúne as maiores empresas dde produção musical fonográfica do país. Para certificar os lançamentos comercializados por aqui, a associação leva em consideração todos os formatos de consumo, abrangendo vendas físicas, downloads digitais e acessos de streams por streaming de áudio e vídeo, em um cálculo que segue a metodologia TEA (track equivalente álbum), adotado internacionalmente com fatores de conversão de streaming/download/vendas físicas revisados periodicamente.

domingo, 18 de fevereiro de 2024

Matthias Jabs: Reflexões sobre a mudança da música dos anos 80 para os anos 90 e o sucesso dos Scorpions

Matthias Jabs, guitarrista dos Scorpions, compartilhou suas reflexões sobre a transição da música dos anos 80 para os anos 90 e o sucesso que a banda alcançou durante essa época. Embora muitas bandas tenham encontrado dificuldades durante essa transição, os Scorpions conseguiram se reinventar e lançar um álbum icônico que capturou a atenção do público e permanece relevante até hoje.


Ao refletir sobre essa mudança, podemos ver como a música tem o poder de atravessar décadas e impactar gerações. Os Scorpions são um exemplo de perseverança e talento, e sua música continuará a ser apreciada por fãs de todas as idades e gerações.

Muitas vezes, quando falamos sobre a mudança de décadas, as transformações culturais e musicais vêm à mente. A transição dos anos 80 para os anos 90 não foi diferente. A música passou por uma evolução significativa e as bandas de rock da década anterior tiveram que se adaptar a esse novo cenário. Neste artigo, vamos explorar as reflexões de Matthias Jabs, guitarrista da banda Scorpions, sobre essa mudança e o sucesso que eles encontraram na década de 90.

Uma década desafiadora

Para as bandas de rock que surgiram nos anos 80, a década de 90 apresentou diversos desafios. O público estava em busca de novos estilos musicais e a cena do rock estava passando por uma transformação. Matthias Jabs relembra essa época com sinceridade, reconhecendo que não foi fácil para eles.

No entanto, os Scorpions tiveram uma sorte única. Em 1990, eles lançaram "Crazy World", um álbum que se tornou um enorme sucesso. O destaque desse álbum foi a canção "Wind of Change", que rapidamente se tornou um sucesso estrondoso. Essa música em particular capturou a essência daquele momento de mudança e esperança, tornando-se um hino para muitas pessoas em todo o mundo.

O sucesso de "Crazy World"

Ao falar sobre o álbum "Crazy World", Matthias Jabs não pode deixar de mencionar o sucesso que ele trouxe para a banda. Além de "Wind of Change", o álbum apresentava outras faixas que se tornaram verdadeiros hits nas rádios e na mídia em geral.

Canções como "Tease Me Please Me" e "Send Me an Angel" também conquistaram o público e ajudaram a consolidar o sucesso do álbum. Com milhões de cópias vendidas, "Crazy World" foi um marco na carreira dos Scorpions e mostrou que eles estavam prontos para enfrentar os desafios musicais da década de 90.

O impacto da turnê

Além dos recordes de vendas, a turnê de "Crazy World" também foi um grande sucesso. Matthias Jabs lembra com carinho dos shows lotados e da energia contagiante que a banda sentia em cada apresentação.

Ao percorrer o mundo com suas músicas, os Scorpions conseguiram estabelecer uma conexão especial com os fãs. O poder da música ao vivo é algo único, e a banda aproveitou essa oportunidade para transmitir sua paixão e energia para o público.

O sucesso da turnê de "Crazy World" solidificou ainda mais a posição dos Scorpions como uma das principais bandas de rock da época. Eles não apenas sobreviveram à transição dos anos 80 para os anos 90, mas também prosperaram em meio a essa mudança.