quarta-feira, 18 de março de 2026

Uli Jon Roth na Escócia: Uma noite mágica

A magical evening with Uli Jon Roth. Nenhum título poderia descrever melhor a noite de um domingo, 22 de fevereiro de 2026, no Bannerman’s Bar, em Edimburgo, Escócia. 

Sinto-me privilegiada por ter estado perto de Uli pela terceira vez. Eu me lembro bem do meu coração disparar quando alguns shows no Brasil haviam sido anunciados pela primeira vez, e infelizmente cancelados logo a seguir. Naquela época, ver o Uli performar era algo inimaginável. 

Voltando à noite deste ano, o show estava marcado em um pub localizado no centro histórico de Edimburgo, com portas abrindo às 19h30. Chegando ao local com pouca antecedência, me deparei com o seu nome na fachada escrito em giz: “Live Tonight”.   

O lugar do show é um pub clássico de rock, com arquitetura rústica que lembra uma caverna: já dava pra ter uma ideia da acústica impecável que o local proporciona. Os fãs ocupavam o espaço do bar e aguardavam a abertura das portas. Eu, sem querer perder um detalhe, me posicionei em frente ao palco. Cerca de 20h15, um espaço foi aberto dividindo o público ao meio. Caminhando do fundo da plateia, lá vinha o artista da noite, calmamente, até o palco. Uli tomou seu posto, cumprimentou o público e nos dá alguma ideia da noite que nos espera: só ele e sua Sky Guitar: “Esta é minha banda hoje”, brincou.

Esse não foi um show como os dois anteriores que eu compareci (em 2018, no Jokers Pub, em Curitiba, e em 2023, no espaço Canvas, em Manchester, na Inglaterra). Nesta apresentação, antes de cada performance, havia uma explicação, uma história, um toque pessoal. E para a abertura, Amadeus, composição cuja melodia principal surgiu em meados de 1985, à beira da piscina do hotel em Albuquerque, nos EUA, onde Uli estava em turnê. A inspiração para a música, segundo compartilhou, foi o filme de mesmo nome que conta a história de Mozart, lançado em 1984. Rondo Alla Turca, de autoria do compositor austriaco, portanto, foi a próxima canção, cuja performance ficará para sempre em minha memória, já que Uli pediu gentilmente a todos os presentes para que nenhum vídeo fosse divulgado.

Não demorou muito para que ele anunciasse uma canção do seu período com os Scorpions. Sun in my hand , do álbum In Trance, foi recebida com euforia pela plateia. 

No decorrer da apresentação, Uli ia contando histórias dos bastidores do seu processo criativo e sua visão de mundo. Em determinado momento, exibiu seu livro, In search of the Alpha Law, que já está em sua segunda edição, e cujos exemplares estavam à venda no local. Segundo Uli, esta não é uma publicação convencional e não é autobiográfica. Na obra, Uli compartilha um pouco da sua visão de mundo e da verdade que acredita ter encontrado nessa vida. Sky Overture foi executada na sequência.

No bate papo com o público, Uli compartilhou que, apesar de ele ser conhecido pela música, hoje não é a ela que ele dedica a maior parte do seu tempo. Foi então que exibiu alguns de seus quadros, que pareciam ser o retrato direto de um subconsciente inquieto e em busca da verdade da vida. 

Um dos pontos altos do shows se deu quando Uli executou Spring e Winter, de Vivaldi, seguida pela autoral Triumph of Spring, do álbum Metamorphosis, composta em homenagem ao maestro. 

A aguardada Sails of Charon não poderia faltar nessa noite. Em uma performance de mais de 12 minutos, a plateia assistiu atônita ao gênio da Sky Guitar e sua obra prima junto aos Scorpions.

Para a alegria de quem estava presente, Uli abriu espaço para perguntas e respostas e encerrou a noite após mais de 3 horas com Meditation

Ao final da apresentação, Uli recebeu os fãs um a um e se dispôs a assinar LPs, posters e também seu livro. Na minha vez, relembrei os shows do Manchester, 2023 e principalmente o de Curitiba, 2018. Ele disse que lembrava do Brasil e de Curitiba com muito carinho, e disse ter amado interagir com os fãs brasileiros naquela ocasião. Quando perguntei se havia planos de retornar ao Brasil, ele afirmou ter muita vontade de levar seus novos projetos para lá e deixou escapar que está pensando seriamente a respeito,muito embora ainda não haja datas definidas nem nada concreto.

Uli estará em tour com esse projeto solo por mais algumas cidades da Europa e também logo estreará uma sequência de shows comemorativos ao aniversário de 50 anos do icônico Virgin Killer, dessa vez com a banda completa.

Quanto à visita ao Brasil, ficamos na torcida, o recado foi dado! 

Com carinho,

Marina Ehlke

Uma fã incondicional

Obs.: Gostaria de registar meu especial agradecimento à Annamaria Bruzzese, fã italiana que esteve em Edimburgo especialmente para este concerto, por ter colaborado com minha memória para a menção das músicas nesse artigo.